Definindo o papel da mulher: maternidade, casamento e trabalho



Andréia Rosin Caprino Taborda

Mestre em História (UFPR), Graduada em História - Licenciatura e Bacharelado em História (UFPR). Atualmente doutoranda em História (UFPR)


Nós estamos tão imersas na cultura e na sociedade das quais fazemos parte que não pensamos na possibilidade de as coisas terem sido diferentes do que são hoje. Um dos aspectos que mais se destaca nesse sentido é o papel feminino. Por que nos sentimos tão sobrecarregadas e pressionadas com as múltiplas funções que exercemos ou gostaríamos de exercer? Acredito que um motivo relevante que responde a essa pergunta são as transformações sociais e ideológicas, ocorridas sobretudo nas últimas décadas, referentes à mulher. A saída da mulher de dentro da sua casa para ocupar diferentes posições na sociedade é uma conquista importante e não deve ser desprezada. Até pouco tempo atrás não possuíamos o direito ao voto, não podíamos trabalhar na maior parte dos cargos existentes, e as nossas ideias e pensamentos não tinham valor em um nível amplo. Embora estejamos longe de uma justiça social (o que sobrepassa a questão feminina), é inegável o avanço da participação das mulheres em vários espaços na atualidade. Com isso, não quero dizer que defendo como as mudanças ocorreram e as intenções que levaram ou que podem ter levado as mulheres a buscarem maior autonomia. Estou afirmando que é benéfico podermos estudar, trabalhar e participar ativamente do nosso meio.


A questão é que passamos por transformações em grande parte positivas, mas não nos desvinculamos das funções que possuíamos anteriormente: mãe, esposa, dona de casa. É verdade que muitas mulheres abriram mão totalmente do casamento e/ou da maternidade em prol de si mesmas, em busca de uma carreira sólida ou até mesmo de uma vida sem compromissos, desfrutando, assim, da tão almejada emancipação feminina pela qual o nosso gênero lutou arduamente. Contudo, não é sobre elas que esse texto trata, mas sobre mulheres que têm a dupla jornada: fora e dentro do lar.

Trabalhar durante o dia e chegar em casa cansada, com um novo turno de tarefas domésticas pela frente - que incluem filhos, alimentação, marido - não é algo fácil de se lidar. Você já se sentiu devedora quanto aos filhos, de passar tempo junto, de se divertir com eles, de ensiná-los? Por outro lado, já se depreciou por não se dedicar um pouco mais ao trabalho? Essa contrariedade é típica para nós. Outro cenário existente é o da mulher que, por razões diferentes, fica apenas em casa, mas pode não se sentir tão bem, pois praticamente não há reconhecimento do trabalho precioso que realiza no seu lar. As opiniões dos amigos e a visão de pessoas que estão à sua volta acabam muitas vezes por pressioná-la a ocupar outros cargos. A verdade é que apontei somente dois exemplos dentro de uma gama maior de realidades, todas com potencial para nos confundir e nos menosprezar em nossos papeis. Se você não possui absolutamente conflito algum com tudo o que é esperado que você faça, e lida muito bem com o que necessita fazer diariamente, ótimo! Porém, o que mais percebo é a dificuldade presente na vida da mulher casada para desempenhar com alegria e paciência tudo o que tem em mãos, principalmente no momento de pandemia em que vivemos atualmente. O novo panorama resultante do Covid-19 gerou - ou intensificou - dificuldades para as mulheres em relação à multiplicidade de suas funções.

As modificações aparecem e não trazem manual consigo; precisamos aprender no processo! Quem sabe esse contexto não nos pode ajudar a lidar melhor com os conflitos que existem dentro de nós? As dificuldades nos ajudam a crescer e aprender. Não posso apresentar uma fórmula mágica que solucionará as suas questões identitárias, mas posso aconselhá-la a pensar e a redefinir as suas funções de uma forma saudável. Converse com seu marido! Converse com seus filhos, com os seus amigos! Aproveite o que estamos vivendo para aprender boas lições. Trabalhe, seja fora de casa ou em home office, cozinhe, leia com as crianças, assista filmes com o marido, tenha um tempo sozinha, se exercite física, emocional e espiritualmente, descanse, peça ajuda com as tarefas! Se você não trabalha fora por escolha sua e da família, aproveite! Não se sinta culpada por isso! Não devemos nos curvar aos padrões sociais que são esperados de nós, mas ao que nós queremos em consonância com a vontade de Deus. Somos esposas, mães e trabalhadoras. Não vamos abominar qualquer um desses papeis ou então supervalorizar um deles em detrimento dos demais. Vamos buscar o equilíbrio!



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